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A ilusão do controle

O que realmente controlamos?

 

A cada dia procuramos respostas que nos ajudem a estabelecer limites e a dar clareza sobre onde e como ir. Isso vale para a vida pessoal e profissional, para as organizações e a sociedade. Mas, quando não conseguimos as respostas, o que fazemos? Paramos, aguardamos alguém definir ou reclamamos que as coisas são difíceis. E quando as respostas não coincidem com a maneira pela qual construímos nossas referencias, não acreditamos ser possível trilhar o caminho. Como conseguir viver com perguntas e fazer do processo de buscar respostas a saída para viver bem?

Criar um futuro, observando a vida que já existe e reconhecer seus padrões, permite perceber o fluxo do desenvolvimento. A vida existe sem a nossa intervenção direta e, normalmente, a desviamos de trajeto normal. Por isso, ela acaba resistindo e encontrando a sua própria trajetória após um tempo. Sabemos que o mundo é complexo mas ainda pensamos que ele é um relógio.

Quando lidamos com desenvolvimento, a pergunta do tempo é inevitável. “Quanto tempo demora para que o grupo de líderes se desenvolvam?”. Ou então: “Quais são os indicadores que revelam este desenvolvimento?”. Questões naturais de uma consciência, de um paradigma do “ver para crer”. Trabalhar com o que é vivo exige um olhar atento e preciso pois, a cada momento, a vida se modifica. Só que enxergamos os resultados não de forma numérica mas nas diferenças nas relações humanas. E o tempo disso é o tempo inteiro. Todo minuto. Todo segundo. Se estivermos acordados e percebendo...

Recentemente, começamos a introduzir um conceito aplicado às iniciativas sociais em nossas práticas comerciais de consultoria : A definição do valor do nosso trabalho pelo próprio cliente, ao invés de um preço do serviço. As primeiras experiências são interessantes de relatar. Uma certa incredulidade, pedidos de propostas comerciais adicionais com o preço, ligações para nos perguntar se esquecemos de colocar o preço. Até que “cai a ficha” de que para fazermos um trabalho de alinhamento de diretores isso, por si, já requer um alinhamento. O que esperamos destes consultores? O que estamos dispostos a contribuir para essas expectativas se realizarem a partir de nós mesmos? O quanto temos de disponibilidade interior (tempo, vontade) e exterior (recursos) para esta iniciativa? O velho em nós diz: “Que risco! E se o cliente não quiser pagar nada? E se ele colocar os valores lá embaixo?”. A nova consciência aponta para o futuro: “Este processo tem desenvolvimento e propósito para os dois lados. Confie que será o valor adequado”.

Tem sido surpreendente pois as diferenças entre o preço habitual e o valor ofertado pelo cliente tem poucas variações e, quando sim, com valores maiores do que proporíamos. Perdemos o controle e confiamos no equilíbrio entre necessidades e capacidades, resultando num acordo justo. Vários médicos, psicólogos, restaurantes, entre outras iniciativas, tem procurado exercer está "falta de controle" e a transformando em confiança que tem valor para os outros e que isso será reconhecido. 

Medir a vida é impossível pois ela está em constante movimento. Fomos acostumados a lidar com o “morto”, com padrões e medidas certas. E esse treinamento deixou marcas que custamos a mudar. Queremos controlar cada passo do desenvolvimento, ao invés de nos abrir para observar as possibilidades. Deixar de pensar em ter controle de tudo e manter-se atento ao movimento é desconfortável, traz insegurança. Mas, iludir-se que podemos controlar traz mais ansiedade e medo que alimentam o antigo e matam o que quer surgir de novo.

O inanimado não cria a vida. Somente o que é vivo cria outra vida.

Que tipo de pessoa você quer ser? Preso às medidas do passado ou medroso de um futuro que já se apresenta? Preferimos ser confiantes na vida e no encontro frutífero de talentos e intenções para o agir correto no presente.